Wednesday, September 24, 2008

PAZ E TRANQUILIDADE SOCIAIS

Por mim, prevenir sempre foi melhor - e muito mais barato - do que remediar. No nosso caso, muito melhor do que reprimir.
E prevenir, ainda neste nosso caso particular, é mais tarefa dos Ministérios da Economia, das Finanças, do Plano, da Educação, da Saúde, do Desenvolvimento Rural, do que dos Ministérios da Administração Interna ou da Justiça. São precisas políticas sociais, económicas, fiscais e projectos e programas virados para a promoção da qualidade de vida, para a redução das assimetrias regionais de desenvolvimento, para o reforço da coesão social e para o incremento da auto-estima dos cabo-verdianos. O cabo-verdiano precisa acreditar que dias melhores virão. Precisa acreditar que os sacrifícios que segue consentindo valem a pena. É crucial que o jovem tenha esperanças no amanhã, que as pestanas que hoje queima, potenciam-lhe as chances de sucesso no futuro.
Que diabos! Alguém consegue manter-se na vertical no meio da borrasca, que é o ambiente em que os nossos jovens se forjam, se não puder vislumbrar uma luzinha que seja ao fundo do túnel? Já há pessoas que se questionam sobre o teor e a qualidade de investimentos a fazer para o futuro da prole. Se tiver bons pés, que nem o Cristiano Ronaldo, o Nani ou o Rubinho, fica fácil. A outra alternativa, fazer a carreira de Pablo Escobar, Fernandinho Beiramar, ou algum dos nababos nacionais, não lembraria ao diabo. Também investir no mestrado do filhote e tê-lo ali na fila de desempregados, sendo entrevistado por Serapião e outros analfabetos que tais, não parece ser de molde a tranquilizar os pais. Mormente os filhos. Os visados.
Então, há que convir que o primeiro passo para a reinstalação da paz e da tranquilidades sociais é o desanuviamento do futuro do cabo-verdiano, maximé da juventude. Outros passos terão a ver com uma maior justiça na redistribuição da renda; com um mais simples acesso das famílias a um rendimento que dê para o básico; com uma urbanização planeada ao pormenor, onde não são perdidos de vista as eventuais consequências não positivas; com uma educação para a cidadania; com maior democracia económica; com oportunidades para os jovens; com justiça social, no sentido mais amplo da locução.
Tudo isso equacionado, mister se tornará investir, e investir forte, no controlo social. Há fenómenos genuinamente urbanos a que muito dificilmente ficaremos imunes. Teremos de aprender a conviver com eles. Mas teremos de ser capazes de lhes impor limites. Foi assim o percurso de Judas, o Iscariotes: começou por roubar coisas pequenas e acabou vendendo o Divino Mestre. Foi assim, também, que as coisas começaram em São Paulo e no Rio de Janeiro, na Cidade do México, em New York. A pequena Cidade da Praia de Santa Maria da Vitória (que nunca chegará a ser uma cidade grande) está trilhando os mesmos caminhos de megacidades. Travar esse resvalamento implica em intervenções firmes e em tempo real do Estado. Só o exercício descomplexado da autoridade, o uso da mão-forte do poder do Estado, poderão garantir a SEGURANÇA e a LIBERDADE dos cidadãos, reinstalar e manter a PAZ e a TRANQUILIDADE SOCIAIS, e a ambição máxima de toda a Nação, que é como quem diz, o PROGRESSO e o BEM-ESTAR. E sendo para o bem-estar de todos e para a felicidade geral da Nação, teremos todos de dizer PRESENTE! e nos disponibilizarmos para a única batalha que vale a pena.
Mas SEGURANÇA, com liberdade e LIBERDADE em segurança, sendo direito, desejo e ambição de todos, deverá ser, TAMBÉM, tarefa de todos: cidadãos, autoridades, confissões religiosas, partidos políticos, sociedade civil organizada. E um desafio particular para a nossa polícia. Ela pode invocar mil e uma razões para não ser aquela polícia por que se anela, mas de uma coisa não tem como escapar: ELA tem de liderar o processo de instalação, manutenção e conservação de um sistema de segurança urbana, capaz de garantir a PAZ e a TRANQUILIDADE SOCIAIS, condição sina qua non para que se possa manter viva a esperança de um futuro de DESENVOLVIMENTO, PROGRESSO e BEM-ESTAR para os cabo-verdianos.

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