Wednesday, September 24, 2008

PAZ E TRANQUILIDADE SOCIAIS

Por mim, prevenir sempre foi melhor - e muito mais barato - do que remediar. No nosso caso, muito melhor do que reprimir.
E prevenir, ainda neste nosso caso particular, é mais tarefa dos Ministérios da Economia, das Finanças, do Plano, da Educação, da Saúde, do Desenvolvimento Rural, do que dos Ministérios da Administração Interna ou da Justiça. São precisas políticas sociais, económicas, fiscais e projectos e programas virados para a promoção da qualidade de vida, para a redução das assimetrias regionais de desenvolvimento, para o reforço da coesão social e para o incremento da auto-estima dos cabo-verdianos. O cabo-verdiano precisa acreditar que dias melhores virão. Precisa acreditar que os sacrifícios que segue consentindo valem a pena. É crucial que o jovem tenha esperanças no amanhã, que as pestanas que hoje queima, potenciam-lhe as chances de sucesso no futuro.
Que diabos! Alguém consegue manter-se na vertical no meio da borrasca, que é o ambiente em que os nossos jovens se forjam, se não puder vislumbrar uma luzinha que seja ao fundo do túnel? Já há pessoas que se questionam sobre o teor e a qualidade de investimentos a fazer para o futuro da prole. Se tiver bons pés, que nem o Cristiano Ronaldo, o Nani ou o Rubinho, fica fácil. A outra alternativa, fazer a carreira de Pablo Escobar, Fernandinho Beiramar, ou algum dos nababos nacionais, não lembraria ao diabo. Também investir no mestrado do filhote e tê-lo ali na fila de desempregados, sendo entrevistado por Serapião e outros analfabetos que tais, não parece ser de molde a tranquilizar os pais. Mormente os filhos. Os visados.
Então, há que convir que o primeiro passo para a reinstalação da paz e da tranquilidades sociais é o desanuviamento do futuro do cabo-verdiano, maximé da juventude. Outros passos terão a ver com uma maior justiça na redistribuição da renda; com um mais simples acesso das famílias a um rendimento que dê para o básico; com uma urbanização planeada ao pormenor, onde não são perdidos de vista as eventuais consequências não positivas; com uma educação para a cidadania; com maior democracia económica; com oportunidades para os jovens; com justiça social, no sentido mais amplo da locução.
Tudo isso equacionado, mister se tornará investir, e investir forte, no controlo social. Há fenómenos genuinamente urbanos a que muito dificilmente ficaremos imunes. Teremos de aprender a conviver com eles. Mas teremos de ser capazes de lhes impor limites. Foi assim o percurso de Judas, o Iscariotes: começou por roubar coisas pequenas e acabou vendendo o Divino Mestre. Foi assim, também, que as coisas começaram em São Paulo e no Rio de Janeiro, na Cidade do México, em New York. A pequena Cidade da Praia de Santa Maria da Vitória (que nunca chegará a ser uma cidade grande) está trilhando os mesmos caminhos de megacidades. Travar esse resvalamento implica em intervenções firmes e em tempo real do Estado. Só o exercício descomplexado da autoridade, o uso da mão-forte do poder do Estado, poderão garantir a SEGURANÇA e a LIBERDADE dos cidadãos, reinstalar e manter a PAZ e a TRANQUILIDADE SOCIAIS, e a ambição máxima de toda a Nação, que é como quem diz, o PROGRESSO e o BEM-ESTAR. E sendo para o bem-estar de todos e para a felicidade geral da Nação, teremos todos de dizer PRESENTE! e nos disponibilizarmos para a única batalha que vale a pena.
Mas SEGURANÇA, com liberdade e LIBERDADE em segurança, sendo direito, desejo e ambição de todos, deverá ser, TAMBÉM, tarefa de todos: cidadãos, autoridades, confissões religiosas, partidos políticos, sociedade civil organizada. E um desafio particular para a nossa polícia. Ela pode invocar mil e uma razões para não ser aquela polícia por que se anela, mas de uma coisa não tem como escapar: ELA tem de liderar o processo de instalação, manutenção e conservação de um sistema de segurança urbana, capaz de garantir a PAZ e a TRANQUILIDADE SOCIAIS, condição sina qua non para que se possa manter viva a esperança de um futuro de DESENVOLVIMENTO, PROGRESSO e BEM-ESTAR para os cabo-verdianos.

Friday, September 19, 2008

POR UM SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA

Sou daqueles que acreditam que a solução para os problemas de (in)segurança pública que o país segue enfrentando, passa pela instalação de um eficaz, ágil e forte SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA. Um SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA que seja capaz de se renovar, de se proteger contra o anquilosamento, que seja capaz de antecipar soluções a situações com fortes probabilidades de ocorrência e, sobretudo, um sistema que seja capaz de prever a reação do «CRIME» quando for derrotado na Capital. Que o problema é nacional. Os combates travam-se hoje na Praia, mas o resultado da batalha da Praia interessará a todos. Uma vitória dos«BONS» (resultado em que acredito PIAMENTE) significará o retorno da paz e da tranquilidade à Capital do País, mas gerará um forte movimento do «CRIME» em direcção à pereferia. É preciso pois que o sistema que defendo seja capaz de prever e de travar le détournement de la violence vers la périphérie, que se seguirá à vitória na Praia de Santa Maria da Vitória.



O SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA que defendo, PRESSUPÕE:

I. PRIVILEGIAR A PREVENÇÃO (MAIS VALE PREVENIR DO QUE REMEDIAR)!
II. CORPORAÇÕES POLICIAIS BEM TREINADAS E BEM EQUIPADAS
III. SINTONIA E PERMUTA DE INFORMAÇÕES ENTRE AS CORPORAÇÕES
IV. BOM ENTROSAMENTO COM O MINSTÉRIO PÚBLICO
V. CULTO DA LEGALIDADE
VI. INTEGRAÇÃO DAS EMPRESAS PRIVADAS DE VIGILÂNCIA
VII. INTEGRAÇÃO DAS COMUNIDADES NO SISTEMA MEDIANTE MECANISMOS PRÁTICOS
VIII. PERMANENTE RECURSO À INTELIGENTSIA POLICIAL
IX. UMA BOA REDE DE INFORMANTES
X. NORMALIZAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DO APITO, ENQUANTO INSTRUMENTO DE ALERTA DE SEGURANÇA

Tudo isso, baseado em um bom conhecimento da realidade das comunidades, interligado por uma boa rede de comunicações, suportado por um ágil sistema de mobilidade, e administrado por uma forte, hábil e generosa LIDERANÇA.


INSEGURANÇA PÚBLICA

As minhas expectativas perante o prometido programa de luta pela redução da insegurança e da criminalidade estão condensadas nos cometários registados abaixo (e que já registara noutro local). Será que vai dar Praia?

Comentários:
1. É DESTA QUE VAMOS CONHECER UM SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA, ENVOLVENDO AS POLÍCIAS DO ESTADO, AS SEGURANÇAS PRIVADAS E A POPULAÇÃO?

2. É DESTA QUE A PN VAI PODER CONTAR COM DELEGADO(S) DO MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO DAS SUAS PRINCIPAIS ESTRUTURAS, PREVENINDO A APRESENTAÇÃO DE ARGUIDOS AO JUÍZ DE SERVIÇO COM PROVAS INCONCLUSIVAS OU SEM PROVAS, PRISÕES FORA DE FLAGRANTE DELITO SEM TESTEMUNHAS OCULARES NEM PROVAS?

3. É DESTA VEZ QUE A PN VAI TER MÃO NAS EMPRESAS DE SEGURANÇA PRIVADA, PASSANDO SEUS PEÕES PELO CRIVO LEGAL (CADASTRO POLICIAL E REGISTO CRIMINAL LIMPOS)?

4. É DESTA FEITA QUE O ESTADO VAI DISPONIBILIZAR, PARA OS POSTOS CONTROLADOS PELAS EMPRESAS PRIVADAS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA, MEIOS DE COMUNICAÇÃO (POSTOS RÁDIO OU O FAMILIARÍSSIMO TELEMÓVEL) PARA QUE POSSAM AJUDAR A PN A PARTIR DE TAIS POSTOS?

5. É DESTA FEITA QUE SE VAI COMEÇAR A UTILIZAR APITOS (MEDIANTE CÓDIGOS PRÉ-APROVADOS) PARA ALERTAS DE SEGURANÇA? ENTRE AGENTES DAS POLÍCIAS, ENTRE AGENTES DAS POLÍCIAS E OS ELEMENTOS DA SEGURANÇA PRIVADA, ENTRE A POPULAÇÃO E AS POLÍCIAS?

6. É DESTA FEITA QUE VAI ARRANCAR O PROJECTO «POLÍCIA COMUNITÁRIA»?

7. É DESTA FEITA QUE SE VAI APOSTAR NA inteligenscia PARA LOCALIZAÇÃO DOS PREVARICADORES, PARA A DESMONTAGEM DE PLANOS PARA COMETER CRIMES, PARA PRÉ-IDENTIFICAR OS PROVÁVEIS LOCAIS DE CRIME?

8. É DESTA FEITA QUE VAMOS PREVENIR PARA OBVIAR ÀS DESVANTAGENS DA REPRESSÃO?

9. É DESTA FEITA QUE SE VAI AVANÇAR NO SENTIDO DA COMPRA DE INFORMAÇÕES DETERMINANTES A INFORMANTES?

10. É DESTA FEITA QUE VAMOS UTILIZAR OS NOVOS RECRUTAS DAS POLÍCIAS PARA OS PÔR À PAISANA, CIRCULANDO POR AÍ EM BIKES, INFILTRANDO-SE NAS COMUNIDADES GANHANDO A CONFIANÇA DESTES, AO MESMO TEMPO QUE REFORÇAM A SEGURANÇA DA COMUNIDADE?

É TUDO ISSO AÍ? ENTÃO, PARABÉNS PARA OS TITULARES DOS ÓRGÃOS DO ESTADO QUE RESPONDEM PELA NOSSA SEGURANÇA. NÃO SERÁ NADA DISSO? ENTÃO, GIVE ME A BRAKE, PLEASE. NÃO QUERO ACREDITAR QUE A SOLUÇÃO SEJA CADA UM ADQUIRIR O SEU «BOKA BEDJO», BERETA, UZI, OU OUTRA MARCA DISPONÍVEL NO MERCADO.

Monday, September 1, 2008

ORGULHO NACIONAL, PRECISA-SE

Depois de ler Eça (maximé em O PRIMO BASÍLIO) e ver as falas que põe na boca das personagens, de ter escutado os horrores que alguns brazucas falam do seu belíssimo país e enjoado com a forma como alguns patrícios se referem a Cabo Verde, a Santiago e à Cidade da Praia, ler os comentários de uma holandesa sobre o Brasil, foi colírio para os meus olhos. Quem sabe, depois de vermos o Brasil pelos olhos de uma europeia, sejamos capazes de olhar para a nossa terrinha com olhos de ver.

Leia, reflicta e se orgulhe do país em que nasceu ou vive!Eu amo a Praia, amo Santiago, amo o meu Cabo Verde, de Santo Antão a Brava!! Convosco, os

COMENTÁRIOS DE UMA HOLANDESA SOBRE O BRASIL...
Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil. E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado. Só existe uma companhia telefónica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.
Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos - antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçon ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.
Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçon de botequim no Brasil podia ir para lá dar aulas de "Como conquistar o Cliente".
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo?Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos.
Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa.Os brasileiros são vítimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc...
Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar suas raízes culturais.Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
9. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jactos e helicópteros executivos.
Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil?
1.Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?
2. Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?
3. Que suas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prémios mundiais?
4. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
5. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?
6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
7. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povohospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
8. Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?
É... O Brasil é um país abençoado de facto. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques.Bendito este país, que oferece todos os tipos de clima para contentar toda gente.Bendita sejas, querida pátria chamada Brasil!Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas que você puder. Com essa atitude, talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro, mas ao ler estas palavras irá, pelo menos, por alguns momentos, reflectir e se orgulhar de ser BRASILEIRO!!!

Friday, August 1, 2008

ANÚNCIO

VOU DE FÉRIAS.
VOLTAREI AO VOSSO CONVÍVIO NO PRÓXIMO MÊS DE SETEMBRO.
PARA OS LEITORES DA MINHA COLUNA NO JORNAL «A SEMANA» A MINHA DESPEDIDA (DESLOCADA) E UM «ATÉ SEMPRE».

VOSSO,

António Ludgero Correia

Wednesday, July 30, 2008

na AUDIÊNCIA TÉCNICA sobre o SANEAMENTO

no dia 30/07/08,
EU DISSE QUE:

>Os resíduos sólidos constituem o subproduto não aproveitável de actividades humanas, mormente das económicas – agricultura, indústria, comércio, serviços. Quanto maior for a dinâmica e a produtividade da cidade, maior a quantidade de resíduos ou desperdícios não aproveitáveis.

Cerca de 60% de volumes de negócios do país concentrado numa única urbe, sem resíduos sólidos e outros?

Numa urbe onde, diariamente, são recebidos à volta de 20 mil consumidores (cerca de 20% da população residente) que vêm comprar e vender e ainda regressar à casa no final do dia, como não haver subprodutos não aproveitáveis e resíduos «sem tecto»?

>Quem ganha com esses negócios? Ganham com os negócios da Praia, gente de todas ilhas (destaque para Sanvicente, Fogo, Sal e Santiago); de quase todos os continentes (destaque para a Ásia – os chineses – e África); ganham também os exportadores do Brasil, de Portugal, de Hong Kong, da China.

>Uma última questão: O QUE FAZER PARA TER A CIDADE LIMPA? COMO FAZER PARA TER A CIDADE NUM BRINQUINHO? Das duas uma:
- Ou se reduz a actividade económica ao mínimo, garantindo uma produção ínfima de resíduos, mantendo a cidade limpa e esterilizada sem qualquer esforço aparente;
- Ou melhora-se o tratamento a dispensar aos resíduos sólidos e desperdícios não aproveitáveis, seja a nível dos «produtores» dos desperdícios e resíduos, seja ao nível dos responsáveis pelo saneamento do meio.

E é claro que há que abraçar a segunda alternativa: que quantos produzam resíduos e desperdícios na cidade, continuem a ganhar o seu rico dinheirinho, continuem a poder passar as férias nos paraísos de sua eleição, continuem a matricular os seus filhos nas melhores escolas do mundo mas que, em contrapartida, passem a cuidar melhor dos resíduos e desperdícios da sua actividade e comecem a buscar - e a exigir - plataformas de entendimento com as autoridades com intervenção na matéria.

>Tendo optado pela produção de riquezas, e estando a obter bons resultados, a saída para o aparente imbróglio terá que passar, inevitavelmente, pela COERÊNCIA nas relações do poder e dos moradores com a cidade que os abriga e lhes dá a ganhar rios de dinheiro, votos e poder.

Monday, July 28, 2008

QUALIDADE


“O gosto só pode ser educado pela contemplação não do que é razoavelmente bom, mas daquilo que é puramente excelente. Só revisando apenas os melhores trabalhos que já fiz é que posso estabelecer um padrão para o futuro.”

Johann Wolfgang von Goëthe

Na sua saga contra a importação, pura e simples, de modelos de acção que pouco ou nada tinham a ver com a cultura e, sobretudo, com a idiossincrasia do trabalhador brasileiro, o PhD Júlio Lobos produziu esta definição do conceito QUALIDADE, prosaica e elucidativa qb:

“Qualidade é tudo o que alguém faz ao longo de um PROCESSO para garantir que um CLIENTE, fora ou dentro da organização, obtenha exactamente aquilo que deseja – em termos de características intrínsecas, custo e atendimento.”

Fazia falta uma definição destas, diante do enorme acervo de material que se punha em cima da mesa quando o assunto era a QUALIDADE. Não se tenta minimizar nada do que habitualmente se punha (e se põe) em cima da mesa. Longe disso. A parafernália é necessária ou pode vir a ser necessária. Mas nada disso resulta se não se tiver o imprescindível. E o imprescindível, na questão da QUALIDADE, é ter-se uma organização minimamente capacitada para agir com QUALIDADE. E desta, fazem parte: PESSOAS, Coisas, Informações, Metas e uma (certa) Ideologia.
Uma tal organização (e no estádio de desenvolvimento desejável) ou é muito rara ou, simplesmente, inexiste. Mas a sua inexistência (pelo menos naquele estádio que se desejaria) não pode servir de desculpa para não se começar. Mas, por vezes, é por aí que se cai na armadilha: em vez de garantir o que se tem, usando bem e criativamente as técnicas tradicionais, somos tentados a avançar para progressos mirabolantes, recorrendo a novas técnicas (que, muitas vezes, não dominamos). Qualquer tarimbeiro sabe que não vale a pena o recurso a métodos sofisticados de análise de um processo, de fabrico, por exemplo, quando o erro reside nas operações (que podem estar sendo realizadas com equipamentos descalibrados). E que corrigir, queira-se ou não, vem antes de aperfeiçoar.
Então, diante de uma qualquer estrutura montada para produzir outputs com qualidade, é fundamental que não se perca de vista que a QUALIDADE reside no que se faz – aliás, em tudo o que se faz – e não apenas no que se tem como consequência disso. Desde a escolha dos insumos, passando pelo processamento e pelo controlo de qualidade. Controlo de qualidade que não seja feito apenas a jusante (fixando-se no produto final), mas que deve estar presente e actuante já na montagem da organização (interacção de PESSOAS, Coisas, Informações, Metas e Ideologia), no processo de escolha dos inputs, e durante todo o processamento e acabamentos finais. Quer se trate de uma fábrica de parafusos ou de um Instituto de Ensino Superior (IES), o objectivo é dar ao CLIENTE o que lhe interessa. E, geralmente, o CLIENTE está mais interessado em SOLUÇÕES (para o seu bem-estar) do que em (meros) PRODUTOS. PRODUTOS todo mundo faz; estão aí expostos, cada um vem e escolhe aquele que mais se aproximar do que precisa. Já as SOLUÇÕES são produzidas de modo personalizado, talhadas para dar exacta conta da necessidade “X”, manifestada pelo CLIENTE “Y”. Dar ao CLIENTE o que lhe interessa – é a isso que se chama QUALIDADE.
E ao cliente interessa o quê? De entre um pequeno mundo de exigências (e de algumas frescuras) todo o mundo quer “SOLUÇÕES” com QUALIDADE INTRÍNSECA (em condições que satisfaçam no uso e que podem ser mensuradas pela ausência de defeitos e pela presença das características desejadas e contratualizadas); a CUSTO reconhecido como justo; e fornecido no MOMENTO CERTO (e estipulado no contrato).
Voltando à vaca fria, se se persegue a QUALIDADE - e se estivermos de acordo que o imprescindível, nesta questão, é ter-se uma organização minimamente capacitada para agir com QUALIDADE e que desta fazem parte, PESSOAS, Coisas, Informações, Metas e uma (certa) Ideologia – então o jeito é mesmo investir forte e feio (ou bonito, desde que se aposte o JOCKER) na adequação da ORGANIZAÇÃO (e das PESSOAS que a compõem, das coisas que a equipam, das informações que a enformam, das metas que a fazem correr e da ideologia que a norteia). E nunca esquecer que CORRIGIR vem antes de APERFEIÇOAR.
As PESSOAS devem entender o seu papel na organização, o que delas se espera (e a capacitação e o aperfeiçoamento permanentes, necessários para darem o melhor de si, é uma das expectativas), ter conhecimento das expectativas do CILENTE, ter boas condições de trabalho e, sobretudo, precisam estar de bem com a vida (a vida delas, sublinhe-se, não a da organização), o que nos remete para a ingente necessidade de se investir na COMPATIBILIZAÇÃO, na medida do possível, dos interesses da ORGANIZAÇÃO com os interesses das PESSOAS que a compõem (o ideal seria que as expectativas e as necessidades das PESSOAS coincidissem com as da organização; não sendo de todo possível, todo o esforço de incremento da zona de intersecção dos dois conjuntos – de interesses – será bem vindo).
Com as COISAS, as INFORMAÇÕES e as METAS parece não haver dúvidas acerca do modo como devem contribuir para a QUALIDADE total.
No que diz respeito à IDEOLOGIA prevalecente, é desejável que ela vá ao encontro de uma novíssima ética do trabalho, que não admite erros, que reconhece os acertos e que coloca a satisfação das PESSOAS (AGENTES e CLIENTES), dentro e fora da organização, acima de tudo.
Tendo uma tal perspectiva da QUALIDADE, não espantará que não me preocupe minimamente a fricção que, no momento, se vive na comunidade académica nacional. Vou de férias convicto de que a UNICV e o corpo docente do ISE não terão muitas dificuldades em ultrapassar este esboço de crise de crescimento da Academia nacional. Bastará que se identifique, com exactidão, o pomo (ou os pomos) da discórdia. Importará, é certo, dar nomes aos bois e ir, sem qualquer rebuço, ao fundo da questão (ou questões) que os incomoda. Não raras vezes, os ruídos de comunicação ganham uma tal ressonância que chegam a espantar os próprios protagonistas quando, depois, mais serenos, se põem a pensar na questão. Basta que uma ideia tida como evidente, e dispensando, por isso, qualquer explanação especial, não seja assim tão evidente para a outra parte, para que se instale um clima de mal-estar; pode, por exemplo, um grupo ter uma ideia clara de quem deve financiar o quê e acontecer que tal questão nunca tenha ganho qualquer relevância no seio do interlocutor; ou uma ideia, um princípio, um conceito, pode ser assumido como inquestionável por um dos lados, enquanto o outro lado ainda precise que o conceito lhe seja devidamente explicitado. O fundamental, porém, é manter as portas (e as mentes) abertas e, sobretudo, nunca interromper o diálogo. Afinal, é a falar que a gente se entende, né? E no meio académico então…
Decididamente, vou de férias tranquilo. Os académicos (os expoentes do Saber nacional) acabarão se entendendo, decidindo pelo melhor. E a Paulinha (minha neta, cabo-brasileira) não viverá nenhum drama na hora da escolha do país onde fará a sua formação pós-secundária. E isso porque Cabo e Verde e Brasil estarão então ambos cool, que é como quem diz, todos com IES’s de QUALIDADE total.
E sempre convergindo para a QUALIDADE TOTAL, quem sabe não venhamos a ter uma versão cplpiana da Declaração de Bolonha?